Um amigo que decide descer do carro no meio da estrada e nunca mais volta. Um amor que termina de forma trágica numa balada. Um veterinário prestes a dar a pior notícia a uma criança.
A linguagem com que Adriel Pugliesi escreve esses contos parece simples. Mas não se engane. Escrever assim, com frases que escorrem fáceis, mas tocam lugares difíceis, exige uma capacidade de escuta rara. E paciência. Afinal, como dizia Drummond, é preciso conviver com nossos poemas, antes de escrevê-los. É preciso tempo para escolher a palavra exata, para encontrar o gesto certo, o silêncio necessário. Para dizer o que dói sem precisar levantar a voz.
Adriel escreve como quem não força a literatura, mas como quem a deixa vir. E, talvez por isso, seus contos entranhem tanto na gente. Com afeto, humor e brutalidade, ele captura as dobras mais comuns da vida: as vergonhas miúdas, os amores vacilantes, os traumas que não gritam, mas moldam quem somos.
A terceira margem da estrada o insere numa linhagem que passa por Hemingway, Salinger e Carver: escritores de escuta tão refinada que parecem desaparecer entre suas palavras, deixando que vejamos só seus personagens. Escritores que, com uma linguagem aparentemente simples, conseguem nos levar ao coração da vida.
Adriel Pugliesi
Adriel Pugliesi de Oliveira nasceu em Guaíra (SP), em 1993. Atua como pesquisador e possui diversos artigos científicos publicados. É escritor, engenheiro mecânico e doutor em Ciência e Engenharia de Materiais. Sua formação acadêmica influencia sua escrita, marcada por objetividade e profundidade. Em 2025 publicou o livro “A terceira margem da estrada”, obra que explora as sutilezas da experiência cotidiana em prosa simples e reflexiva, abordando temas como preconceito, solidão, vulnerabilidade e conflitos silenciosos que moldam a existência humana. Instagram
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