O povo de K’oranvax foi forçado a abandonar seu território após uma invasão e se refugiar em Laga, estabelecendo-se no Arrabalde e desencadeando tensões persistentes entre k’oras e laguenses. Por um tempo, essas tensões permaneceram sob controle. Até que o primeiro corpo apareceu. Paralelamente, decisões políticas enfraqueceram a barreira entre o Grande Além — o plano espiritual de onde toda a magia emana — e o mundo dos vivos, provocando um descontrole nas regras que mantinham a prática da magia em equilíbrio. Com a partida dos magistos, guardiões responsáveis por controlar a magia, a cidade e o campo de refugiados começaram a ser tomados por focos de inquietação. É nesse cenário tumultuado que a comandante da milícia, Emi Velijulo, encontra um corpo sem olhos em plena praça pública. A descoberta faz Emi temer que o crime esconda significados muito mais sombrios do que se poderia imaginar. A investigação revela o uso de uma forma de magia nunca antes vista, e Emi terá de se apoiar apenas em sua própria experiência para desvendar esses mistérios, enfrentando o risco de perder tudo o que ama. O mistério dos olhos vazios combina elementos de ficção policial, fantasia e terror de maneira nada convencional. Com uma atmosfera perturbadora e marcada por uma crítica social incisiva, a obra captura a essência da weird fiction, onde o incomum e o inquietante se entrelaçam para desafiar as percepções do leitor e provocar reflexões profundas sobre o mundo que nos cerca.